Trata-se de uma revisão sistemática e metanálise, realizada em cinco bases de dados eletrônicas: PubMed, Medline, Central, Hinary, Cochrane Library, African Journals Online, Web of Science e Google.
Os critérios de inclusão abrangeram estudos observacionais, estudos caso-controle, transversal e de coorte, em texto completo, no idioma inglês. A pesquisa abrangeu o período de 30 de janeiro de 2000 a 26 de dezembro de 2023.
A pesquisa demonstrou que a frequência de desfechos desfavoráveis em crianças com queimaduras varia de forma significativa entre os países da África: África do Sul (15,30%), Camarões (29%), Etiópia (18,74%), Gâmbia (21,4%), Nigéria (3,2%), Sudão (5,90%) e Tanzânia (6,58%).
Observou-se associação importante entre piores desfechos e idade inferior a cinco anos. Crianças nessa faixa etária apresentaram 2,6 vezes mais chances de evoluir com resultados terapêuticos desfavoráveis. Esse risco pode estar relacionado à espessura mais fina da pele, que favorece queimaduras mais profundas mesmo após exposições semelhantes às de crianças maiores.
Queimaduras extensas, definidas como superfície corporal total queimada superior a 20%, também foram associadas ao pior prognóstico. Lesões amplas comprometem a fisiologia do organismo, dificultam o processo de cicatrização e aumentam o risco de complicações, necessitando de monitoramento e manejo adequado.
Além disso, as queimaduras por chama apresentaram maior associação com desfechos negativos, possivelmente devido à maior profundidade da lesão, ao risco de inalação de fumaça e às perdas significativas de fluidos, levando ao desequilíbrio hidroeletrolítico.
A desnutrição também se destacou como fator de risco, aumentando em 3,2 vezes a chance de evolução desfavorável. A intensa resposta hipermetabólica desencadeada pela queimadura, quando associada à desnutrição prévia, pode contribuir para falhas no tratamento, dificultando a cicatrização.
Por fim, é importante considerar que os resultados devem ser interpretados com cautela, pois a revisão incluiu apenas estudos em língua inglesa e foi limitada a sete países da África Subsaariana.


Confira o artigo na íntegra:
Wondifraw, Endalk Birrie et al. “Treatment outcomes of burn injury and its associated factor among children in Sub-Saharan Africa: a systematic review and meta-analysis.” BMC pediatrics vol. 25,1 501. 2 Jul. 2025. doi:10.1186/s12887-025-05859-3

Enfermeira
Mestre em Ciências Fisiológicas com enfoque na Fisiologia da Pele
Redatora Científica do CQC